28 junho 2011

Barata Tem Alma?

Dizem que nenhum tecido orgânico sobrevive à radiação de uma bomba atômica. E há quem diga que as baratas são os únicos seres vivos que sobreviveriam a um holocausto nuclear. Assim sendo - puro exercício lógico - a barata É alma. Aquele bicho nojento, de asas brilhantes, cheio de patas e antenas esgueirando-se pelos ralos e pelos cantos, e que eventualmente acertamos uma chinelada, nada mais é que uma ilusão!

Pronto, falei.

Daqui para frente, nada mais será como nunca foi!

06 maio 2011

Espelho, Espelho Meu...

Nem sempre nos damos conta do quanto as pessoas com as quais convivemos nos conhecem, ou conhecem nossos hábitos, ou sabem do que acontece na nossa vida. Até que alguns colegas de trabalho montam um cartaz de felicitações representando algumas coisas que fazem parte da nossa vida e que, de uma forma ou de outra, nos identificam perante eles. E eu ganhei um cartaz assim.

Nele estão dois cães, a Zazu, uma cadela monocromática cor de pinhão, trazida para casa ainda filhote por nossa filha mais nova, e o Amarelo, um cão branco com grandes manchas amarelas que estacionou já adulto em frente à nossa casa por quase um mês, encostado à grade cobiçando a Zazu até que foi aberto o portão, depois a porta da casa, e que agora se esparrama no nosso sofá.

Também tem um tatu, o Dasypus Hybridus, mamífero desdentado da família dos dasipodídeos, este com apenas três anéis, também conhecido aqui na região como mulito e que, num desenho estilizado pelas mãos do meu filho mais velho, serve como logomarca deste blogue.

Estão ali também as figuras de três gatos e meio. Na verdade, três gatas e meio gato. A primeira é a Marica, uma gata quase toda preta, gorda e felpuda, que as meninas insistem em dizer que é Marie e que se pronuncia Marrrrí-í com biquinho a la francesa! As outras duas são mãe e filha, ainda sem nome pois estão destinadas à doação, apesar de já estarem aqui em casa há mais tempo do que eu gostaria. A mãe, uma gata nanica preta com manchas brancas que apareceu por aqui num dia, e no outro já havia parido dentro do guarda-roupa uma gatinha branca manchada de amarelo e preto, [ATUALIZAÇÃO] que ainda é uma criança mas já está maior que a mãe. E o meio gato é o Pepe, preto de cara a rabo que chegou aqui em casa na mesma época da Marica, mas não se acertou muito bem com a Zazu, e depois menos ainda com o Amarelo. Foi quando resolveu se rebelar e só aparecer de madrugada para comer e dormir dentro de casa, enquanto os cães dormem na garagem. Ultimamente, nem isso tem feito mais, e não atende mais nosso chamado quando o vemos na rua, lá de vez em quando. Acho que já o perdemos para a vizinhança.

Figuras que retratam meu principal passatempo também estão ali, como mãos digitando, micros 386, quiçá um 486 DX4 100, e um moderníssimo disquete de 3,5 polegadas. Fui escancaradamente chamado de antigo. Tomara que seja só porque sou mais velho que eles.

Mas, se por um lado a criatividade dos colegas criou um presente divertido e que demonstra seu bem querer, por outro uma coisa me preocupou demais. É aquela figurinha lá no canto superior direito. Tanta preocupação que já marquei consulta no oftalmologista. E no psicólogo também, só por precaução. Sério, eu não sabia que estava assim tão acabado! Juro!

02 maio 2011

Uma Tirinha no Pedaço [vinte]

FAGUNDES & ANACLETO
Clênio Souza, artista plástico, escultor, cartunista, poeta e desenhista, originalmente publicado em O Momento.

29 abril 2011

Poeminha, quatro




Entro e saio,
Num repente.
Não ensaio,
Entro e saio
Tão somente.


Mi eniras kaj eliras,
Subite.
Mi ne provripetas,
Mi eniras kaj eliras,
Simple. 
Foto: Image Bank
Deixa: Pax

24 abril 2011

A Insanidade Não Tem Idade

Antigamente era comum viajarmos com a família completa e o carro abarrotado, quase sempre para a praia, onde desfrutávamos de alguns dias juntos. Os filhos eram pequenos, a disposição era grande, qualquer coisa era motivo de festa – para eles, claro – e o retorno exigia mais uma semana – de nós, claro – para recuperarmos a saúde física e mental. Os filhos foram crescendo, as viagens e atividades em família foram rareando e, antes que percebêssemos, estávamos enfurnados em casa criando limo. Depois de uma eternidade sem que a família estivesse reunida novamente em alguma atividade fora do habitual marasmo, eis que, de caso pensado, no dia 21 de abril fomos jejuar em um parque de aventuras radicais.

Jejuar sim, pois saímos de casa ali pelas onze da manhã, sob céu enfarruscado numa manhã em que já havia chovido, em direção ao Adventure Park, e do qual voltamos perto das sete e meia da noite depois de passar o dia a água e água, afinal até as bolachas Maria deixamos no carro estacionado na portaria.

A esposa, que teve a idéia do passeio, e eu dispensamos o rapel, a escalada e o trecking por absoluta falta de emoção, e encaramos o pacote mais radical:

– Via Ferrata, um conjunto de cabos e pinguelas balançantes suspensas entre as rochas a alturas suficientes para tremer os joelhos enferrujados, e que termina numa plataforma pendurada num pinheiro araucária feito casinha na árvore, só que a 20 metros de altura e sem cerquinha, de onde só se desce praticando rapel;

– Punk Jump, o Pêndulo – ou, a insanidade – onde criaturas sem  cérebro  noção (eu, no caso!) balançam feito ioiôs entre paredões de pedra gritando desesperadamente, pendurados num cabinho de aço preso noutro cabinho de aço atravessado entre as rochas; ATUALIZAÇÃO: O proprietário (na época) do parque, que construiu e instalou todas as atrações do parque, e que também era quem operava os equipamentos do Punk Jump e pode ser ouvido, no vídeo, dando as instruções a mim antes de liberar o pêndulo, era o empresário e esportista radical Lucas de Zorzi, falecido em 11/10/2020, em acidente em uma escalada no Canion Espraiado, na serra catarinense.

– Tirolesa, que obviamente tinha que ser uma das maiores do Brasil, com 1200 metros de extensão e 150 metros de desnível, onde por mais de um minuto se despenca numa velocidade em torno de 70 km/h, dependendo da massa corporal do destrambelhado que se atirou lá de cima, da plataforma entre as rochas. Nos cálculos do carinha responsável por segurar o infeliz para que não se arrebente lá onde os cabos terminam – sim, a viagem é longa, mas os cabos não são presos no infinito, eu passei dos noventa por hora! Indignado por ter sido chamado de gordão, perguntei como ele podia saber, se não tinha velocímetro nas rodinhas nem radar móvel apontando para mim, e ele candidamente respondeu que sabia porque queimou as mãos para segurar a corda que funciona como freio. A esposa e uma das filhas, que assistiram de camarote a minha chegada, confirmaram que saiu fumaça da luva de couro que o carinha usava. Preciso de um spa, urgente!

Um outro tipo de emoção para quem escala as rochas do parque é a visão que se tem da ‘sala de espera’ do pêndulo, também de tirar o fôlego. À direita, pequenas propriedades e hotéis de turismo rural, são dois até a entrada do parque, e à esquerda os paredões de pedra que ladeiam o cânion onde alguns minutos depois estaríamos pendurados balançando e gritando palavrões!

– E, por fim, o passeio de quadriciclo que pode até não ser assim tão radical, mas que exigiu muito cuidado, alguma perícia e uns quinze minutos corcoveando pela estrada íngreme, molhada, escorregadia e cheia de pedras e valetas entre as árvores, para subir novamente todos aqueles 150 metros de desnível que tínhamos acabado de descer pela tirolesa! Como éramos  as últimas vítimas    os últimos  desmiolados    os últimos  suicidas    os últimos clientes do parque, na volta pediram que levássemos os quadriciclos ao hotel fazenda perto dali onde eles são guardados à noite, e voltamos de Land Rover até onde estavam estacionados nossos carros.

Voltaremos, na primeira oportunidade.