quarta-feira, 6 de julho de 2011

Moacyr Scliar, Entre o Humanismo e o Realismo Literário

"Acredito, sim, em inspiração, não como uma coisa que vem de fora, que 'baixa' no escritor, mas simplesmente como o resultado de uma peculiar introspecção, que permite ao escritor acessar histórias que já se encontram em embrião no seu próprio inconsciente e que costumam aparecer sob outras formas – o sonho, por exemplo. Mas só inspiração não é suficiente."

A opinião é do médico e escritor, Moacyr Jaime Scliar, que desde pequeno lia sobre medicina e dizia que em sua casa poderia até faltar comida, mas livro, jamais! Pelas ruas de Bom Fim, em Porto Alegre (RS), era conhecido como o 'menino-escritor'. Aos sete anos escreveu uma autobiografia em papel de embrulho de pão, mas ficou frustrado ao ver que a história não cabia em meia folha.

Filho de imigrantes russos, Scliar nasceu no dia 23 de março de 1937, em Porto Alegre. Foi alfabetizado pela mãe, que era professora primária, e em 1943 passou a estudar na Escola de Educação e Cultura. Em 1955 começou o curso de Medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde se formou, em 1962. Ainda na graduação, publicou Histórias de um médico em formação e, em 1968, O carnaval dos animais, que ganhou prêmio da Academia Brasileira de Letras.

Moacyr Scliar iniciou a carreira em 1963, com a residência em clínica médica. Trabalhou no Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência (SAMDU), de Porto Alegre. Passou a atender os desassistidos da cidade e lutou contra a tuberculose, muito comum à época. Essa experiência o ensinou a lidar com a dor e a esperança. Mesmo cuidando da saúde do povo, Scliar não parou de escrever, tornando-se, em 1993, professor visitante da Brown University (no Departamento de Português e Estudos Brasileiros e na Universidade do Texas, nos EUA).

Devido ao seu caráter humanista, o escritor tinha fama de comunista sem nunca ter se filiado a nenhum partido. “Sou incapaz de fazer mal a uma mosca. Posso ser bonzinho na vida real, mas não na literatura. O escritor tem que assumir a sua crueldade e não mascarar a realidade com finais felizes”, dizia.

Autor de 74 livros entre romances, contos, ensaios, crônicas, ficção, infanto-juvenil e textos para imprensa, Scliar deixou um legado que marcou fortemente a literatura brasileira na segunda metade do século 20. O escritor ocupou a cadeira nº 31 da Academia Brasileira de Letras. Em sua carreira, ganhou vários prêmios, entre eles: Brasília (1977), Mário Quintana (1999) e Jabuti (1988, 1993, 2000 e 2009).

O médico-escritor faleceu em 27 de fevereiro de 2011, em Porto Alegre, aos 73 anos,vítima de um acidente vascular cerebral.
Fonte: Revista Funcef, ed 52, mai/jun11.



Lágrimas e testosterona
(Último texto, publicado no caderno Ciência, 7 de Janeiro de 2011)

Atenção, mulheres, está demonstrado pela ciência: chorar é golpe baixo. As lágrimas femininas liberam substâncias, descobriram os cientistas, que abaixam na hora o nível de testosterona do homem que estiver por perto, deixando o sujeito menos agressivo. Os cientistas queriam ter certeza de que isso acontece em função de alguma molécula liberada — e não, digamos, pela cara de sofrimento feminina, com sua reputação de derrubar até o mais insensível dos durões. Por isso, evitaram que os homens pudessem ver as mulheres chorando. Os cientistas molharam pequenos pedaços de papel em lágrimas de mulher e deixaram que fossem cheirados pelos homens. O contato com as lágrimas fez a concentração da testosterona deles cair quase 15%, em certo sentido deixando-os menos machões.  (Continua aqui).

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