sábado, 26 de junho de 2010

Cecília Meireles, uma Brasileira (1901-1964)

Entre o verso e o engajamento, Cecília Meireles fez de sua obra legado para a educação e para as letras, se afirmando como uma das maiores vozes poéticas da língua portuguesa. Nascida no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro, em 1901, Cecília Benevides de Carvalho Meireles teve uma infância trágica, marcada pela morte prematura de seus pais. Ela mesma narraria mais tarde: “Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos.” Criada pela avó materna, se torna professora primária em 1917, atividade a que se dedica durante longo período. A estréia literária acontece aos 18 anos com o livro de poemas Espectros, o primeiro de uma obra que tem como marcas o virtuosismo da forma, a intimidade, a intuição. Artista de seu tempo, flerta com a revolução estética do movimento modernista brasileiro, inaugurado em 1922, e se torna figura ativa da cena cultural brasileira, encontrando no país, no seu folclore, na sua gente e nas suas paisagens material para sua criação.

A partir de 1925, dedica ainda maior entusiasmo à vocação de educadora. Encampa uma luta em prol a renovação do sistema educacional vigente. Entre 1930 e 1933 tem como arma a página de educação que dirige no jornal carioca Diários de Notícia, onde deixa evidente sua postura política democrata e seu espírito contestador.

Coleciona, durante esses anos, inimigos e desafetos. Ao lado do marido, o pintor português Fernando Correia Dias, inaugura no Rio de Janeiro, em 1934, a primeira biblioteca infantil especializada no país. Ainda no início da década de 30, inicia um produtivo período de conferências no exterior, apresentando na Europa e nos Estados Unidos, as diversas faces da cultura brasileira. De volta ao país, em 1935, enfrenta mais um momento trágico, o suicídio de seu marido. Retorna ao magistério, lecionando na Universidade do Distrito Federal (atual UFRJ), e à atividade jornalística, escrevendo sobre folclore no jornal A Manhã e crônicas para o Correio Paulista. Em 1940 casa-se com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.

Em 1939, recebe da Academia Brasileira de Letras (ABL) o Prêmio de Poesia Olavo Bilac, pelo livro Viagem. Em sua vasta produção literária destacam-se títulos como Baladas para El Rei (1924), Mar absoluto (1945), Romanceiro da inconfidência (1953), além de importantes obras sobre literatura infantil, educação, folclore e ainda traduções.

Aposenta-se como diretora de escola, em 1951, mas continua atuante, escrevendo e ainda produzindo e editando programas para rádio. Morre em 1964, na cidade onde nasceu. Tendo sempre o verso como espelho interior, Cecília Meireles manteve a liberdade como condição permanente de sua criação: “...Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”.

Fonte: Revista Funcef ed 25 mar08

Lua Adversa

Tenho fases, como a lua,
fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...).
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Canção do Sonho Acabado

Já tive a rosa do amor
- rubra rosa, sem pudor.
Cobicei, cheirei, colhi.
Mas ela despetalou
E outra igual, nunca mais vi.

Já vivi mil aventuras,
Me embriaguei de alegria!
Mas os risos da ventura,
No limiar da loucura,
Se tornaram fantasia...

Já almejei felicidade,
Mãos dadas, fraternidade,
Um ideal sem fronteiras
- utopia! Voou ligeira,
Nas asas da liberdade.

Desejei viver. Demais!
Segurar a juventude,
Prender o tempo na mão,
Plantar o lírio da paz!
Mas nem mesmo isto eu pude.

Tentei, porém nada fiz...
Muito, da vida, eu já quis.
Já quis... mas não quero mais...

Cecília Meireles desembarcando em Lisboa, em outubro de 1934.
Bico de pena do seu primeiro marido, Fernando Correia Dias.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Circulando por aí...

Estes são os principais tópicos da reestruturação a ser implantada em uma conceituada empresa neste mês de junho:

01- Obrigatoriedade de curso de mágico para exercer a função de caixa “flutuante”;
02- Redução drástica das verbas de publicidade: os empregados fora de forma serão obrigados convidados a fazer o comercial dos Poupançudos;
03- Política de reconhecimento: construção de um asilo para os empregados que insistem em não se aposentar;
04- Contratação do Raí como Gerente Nacional de Habitação;
05- Construção de salas de tortura nas agências, para diminuir o desgaste dos gerentes com a cobrança de metas;
06- Fim da isenção de tarifas para empregados. Por conta da necessidade de comprometimento empregado-empresa, os empregados pagarão em dobro;
07- No intuito de melhorar o atendimento, haverá a substituição de todos os “Posso Ajudar” por simpáticos cachorrinhos de coletinhos azuis;
08- Como parte do processo de melhoria da comunicação interna, todos os operadores da Central de Atendimento serão demitidos. Em seu lugar, uma gravação responderá “não sei” para todos os questionamentos;
09- Contratação de palhaços para entreter os clientes na fila do caixa;
10- Demolição da Agência Sé e, em seu lugar, construção de um parque temático sobre habitação. O parque abrirá aos finais de semana, e será conduzido por empregados que voluntariamente forem obrigados por seus gestores a trabalhar. Por se tratar de trabalho voluntário, os empregados não serão remunerados;
11- Monitoramento da comunicação eletrônica. Os empregados que forem pegos rindo de emails com piadas sobre a reestruturação serão demitidos por justa causa;

A direção da empresa garante que o processo será pautado pela coerência.
Ou seja, Neymar e Ganso estão fora.